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Proibição de visto para atletas trans nos EUA pode afetar CS
O Departamento de Estado dos Estados Unidos ordenou que as autoridades ao redor do mundo neguem os vistos para atletas transgêneros que tentarem entrar no país para competições esportivas e emitam proibições permanentes de vistos contra as pessoas que forem consideradas de terem falsificado seu sexo de nascimento nas solicitações de visto. O país receberá as finais da ESL Impact League, competição que costuma contar com atletas trans, nos próximos meses.
O comunicado do Departamento de Estado da última segunda-feira, obtido pelo jornal inglês The Guardian, instrui os oficiais de visto a aplicarem a Seção 212(a)(6)(C)(i) da Lei de Imigração e Nacionalidade contra os candidatos transgêneros. A seção fala da proibição permanente de fraude, o que aciona a exclusão vitalícia daquela pessoa dos Estados Unidos, com possibilidades limitadas de isenção.
"Nos casos em que há suspeita que os candidatos estão falsificando seu propósito de viagem ou sexo, você deve considerar se essa falsificação é substancial de forma que suporte uma constatação de inelegibilidade", diz a diretriz de Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA.
O enrijecimento da liberação dos vistos para atletas transgêneros é mais uma das ações de Donald Trump, que já havia proibido que atletas trans compitam em campeonatos femininos. A Associação Atlética Universitária Nacional (NCAA) disse que somente pessoas registradas como mulheres no nascimento poderiam participar de competições abraçadas pela organização, que tem mais de 500 mil atletas, mas, de acordo com o presidente, somente 10 são transgêneros.
Os Estados Unidos serão casa de grandes campeonatos de Counter-Strike ainda no primeiro semestre deste ano. O país norte-americano vai receber a IEM Dallas e o mundial feminino da ESL Impact League em maio. O grande evento será o BLAST.tv Austin Major, que acontecerá em junho.
Olga Rodrigues, da HSG, é uma atleta trans que disputou o último mundial que aconteceu em Dallas. No entanto, ela não tem possibilidade para se classificar ao próximo internacional por conta da redistribuição de vagas. No seu site, a ESL diz que a Impact foi criada para que as mulheres possam desfrutar sem remorso do que mais amam: o CS. "No servidor, o que importa é a sua habilidade, não o seu gênero".
No livro de regras da ESL, o artigo 2.7.6 fala sobre as restrições de gênero: "Por conta de restrições específicas da ESL Impact, somente time com 5 jogadoras mulheres (cis ou transgêneros) estão permitidos a participar. A ESL se reserva o direito de verificar e confirmar um gênero de uma participante, requerendo documentações adicionais (como uma identidade emitida pelo governo ou uma nota médica)".
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