Paulo Wanderley, presidente do COB desde 2017 (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Presidente do COB diz que esport não é esporte, "mas o brasileiro é bom nisso"

Mandatário reconhece importância da modalidade, mas discorda da definição: "É uma atividade de entretenimento"

O presidente do Comitê Olímpico Brasil (COB), Paulo Wanderley, é mais um cacique que não vê os esports como esportes. O dirigente opinou sobre o assunto em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, reconhecendo que "brasileiro é bom nesse negócio".

"Como eu entendo há 60 anos, não é esporte", afirmou Paulo Wanderley. Apesar de não reconhecer, o dirigente deixou claro que não é contra os esports: "A atividade de jogos eletrônicos é reconhecidamente bastante lucrativa no mundo inteiro. Mas eles não têm necessidade de estar dentro das Olímpiadas. Os jogos deles já têm divulgação, adeptos, resultados, então eles não precisam da gente. Essa é a minha opinião".

O presidente deve viajar em junho para Singapura, país que sediará a primeira edição do Olympic Esports Series, evento organizado pelo Comitê Olímpico Internacional que terá campeonatos só de simuladores de modalidades tradicionais que envolvem ou não alguma atividade física.

"Estarei lá para, quem sabe, mudar de opinião", disse.

Segundo o presidente do COB, caso os esportes eletrônicos sejam adicionados aos Jogos Olímpicos, a entidade montará uma equipe nacional. "O que o COI decidir, vou fazer. Vai ter esport nas Olimpíadas? Então, vamos montar uma equipe, vamos levar e vamos ganhar. Brasileiro é bom nesse negócio", disse.

Paulo Wanderley disse que, se os esportes eletrônicos, estiverem "dentro da nossa forma de pensar olimpismo, dos valores como respeito, excelência, amizade, solidaridade faremos uma equipe. Do contrário, só na próxima encarnação".

A opinião do presidente do COB é a mesma da ministra do Esporte, Ana Moser, que, nesta semana, em entrevista à TV Globo, se mostrou novamente compra a equiparação do esport como esporte. "Dentro do fenômeno, a área esportiva tem um formato que tem a questão do movimento. O esporte é movimento. É isso é um fenômeno biopsicossocial. E o bio é muito importante. Como fenômeno científico, biológico, ele tem o movimento", afirmou.

A primeira vez que a ministra afirmou que esport não é esporte foi em entrevista ao portal UOL em janeiro. Na época, Ana Moser disse ver a modalidade como entretenimento: "O jogo eletrônico não é imprevisível, ele é desenhado por uma programação digital, cibernética. É uma programação, ela é fechada, não é aberta como o esporte".

Sobre as falas da ministra, o presidente do COB corroborou com a opinião, afirmando que, "como entendemos, não é esporte. É uma atividade de entretenimento bastante praticada no mundo inteiro e não precisa da gente para se firmar dentro do cenário mundial".

O Olympic Esports Series está marcado para ser disputado de 22 a 25 de junho, com campeonato de nove jogos: Chess.com, Gran Turismo, Just Dance, Tennis Clash, Tic Tac Bow, Virtual Regatta, Virtual Taekwondo, Zwift e WBSC eBASEBALL: POWER PROS.

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#1(Com 0 respostas)
17 de março de 2023 às 16:49
DocHoliday
Esses políticos estão sempre atrasado, provável que seja devido a falta de tempo para se informar do que está acontecendo no mundo, é muito trabalho de campanha, muitas alianças políticas, já entram no mandato planejando a próxima eleição e por fim não sobra tempo para o que realmente eles foram eleitos, fazer política.
Agora vem uma ministra e o presidente do COB (não deixa de ser um político) falar que esporte eletronico não é esporte ?
Quando o esporte eletronico virar uma potência lá fora, ai o Brasil vai resolver investir em alguma coisa.
Na cabeça deles Brasil é samba, carnaval, cachaça e futebol...
obs: e pra piorar vão elaborar um campeonato com jogos que realmente não são e-sport kkk mas ai não é problema nosso, e sim do comitê olimpico
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