
"Ser técnico de fut7 é mais fácil que no CS", diz Apoka
Depois de duas décadas comandando equipes de Counter-Strike, Alessandro "Apoka" Marcucci trocou os servidores pelos campos, mas sem largar boné. Como assistente do g3x FC no fut7, disputando a Kings League, o ex-coach de equipes como Luminosity, INTZ e MIBR reencontrou a chama pelo competitivo que perdeu ao deixar o FPS no passado. Mas o que é mais fácil: treinar um time de futebol ou de CS?
"Eu acho que é mais fácil estar no futebol, porque você tem mais influência no que acontece dentro de campo", disse Apoka em entrevista à Dust2 Brasil, ao comparar o trabalho como treinador nas duas modalidades.
Apoka aponta que o grande diferencial é que, no fut7, ou no futebol em si, os treinadores têm chances reais de impactar as partidas em busca do resultado positivo em tempo real, o que não acontece no FPS: "Ser técnico de CS, principalmente pelo lado do que o público e a imprensa veem, que são os resultados, é muito mais difícil. Porque você tem muito menos controle do resultado."
A comparação se intensifica quando Apoka detalha o papel do treinador em situações adversas. No futebol, há alternativas. No CS, resta torcer. "Se você está vendo que um atleta não está muito bem, você consegue pedir pra ele recompor uma função, fazer uma função um pouco mais conservadora. Na Kings League, se um jogador não está bem, você pode tirar ele, conversar com ele no banco, colocar outro."
"Você vê o adversário e, principalmente, você tem substituições. No futebol de campo, limitadas. No futebol de Kings League, ilimitadas. Então, você, claramente, tem mais participação, tanto durante a preparação quanto durante um jogo valendo", completou.
Já no CS, a margem é menor tendo em vista que substituições não podem ser feitas no decorrer do jogo, fora o pouco tempo que os coaches têm para se comunicar com os jogadores. "Então, basicamente, o que brincavam ali com o g3x FC, que é 'toca no Kelvin, reza'. No CS muitas vezes era reza mesmo. Reza no sentido de você torcer pro seu atleta estar no melhor individual naquele dia", afirmou.
Mas Apoka não minimiza a dificuldade de comandar uma equipe no CS. Pelo contrário. Ele destaca o peso da cobrança e a visão distorcida do público sobre a influência dos técnicos: "Eu acho que às vezes o público acha que no CS o treinador pode influenciar muito mais do que ele realmente pode, com as peças que ele tem, sem poder substituir, sem poder fazer muita coisa específica num momento de um jogo valendo."